O dia está. Tenho o sol a acarinhar-me quando saio para a rua. Dou um passo. Outro. Muitos em direcção a baixo. À praia. Lá chego num sussurro, com a mente em constante sobressalto. Procuro-te como sempre fiz e já não sei o teu nome. Sei os teus caminhos, aqueles que já te trouxeram para perto de mim e não mais o fazem. No chão, a areia fria grita-me. Não mais vou ser revolvida por vós. Sai-me uma carícia que não acontece e uma risada inocente. Subo ao penedo que não mais te incomodará. Pela dureza, pelo frio, pela solidão. Por tudo. Aquilo que, agora, apenas a mim me é concedido e consome. Desço e chego à água. Pés molhados, macios. Da água que me arrebata. Curvo-me e choro-me. Invade-me a dor de ti. A dor de tudo o que de bom me foste. Me és. Coloco as mãos e confundo-me em lágrimas e em água salgada. Baixo a cabeça. E levanto-me. Estou de volta a casa. Está tudo bem. Não te preocupes.
-Te. »
E não é que vejo isso tudo?
Bonitinho*